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Limeira
27/01/2022

Pandemia atinge momento mais grave com esgotamento de leitos

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O atendimento de saúde pública e particular para pacientes de Covid-19 está na iminência de colapsar em Limeira. Foi essa a conclusão extraída de entrevista coletiva ocorrida no início da tarde desta sexta-feira (28) na sala de reuniões do Gabinete. “Chegamos no limite em relação à estrutura da URC, tanto no espaço físico para leitos quanto na dificuldade cada vez maior de alocar profissionais de saúde para o local”, afirmou o prefeito Mario Botion. A hipótese de colapso foi mencionada pelo médico Paulo Hansen Martins, diretor clínico da Humanitária, onde hoje funciona a URC.

Além de Botion, falaram à imprensa, os secretários Vitor Santos (Saúde), André de Francesco (Educação), o diretor da Vigilância em Saúde, Alexandre Ferrari, o diretor clínico da Unimed, Danilo Gullo Ferreira, Hansen Martins, e de forma remota, o diretor clínico da Santa Casa, Luis Francisco Oliveira e o diretor médico regional da Medical Hapvida, Flávio Oliveira. A vice-prefeita, Erika Tank, também esteve presente na coletiva, realizada com todos os protocolos de segurança e com jornalistas fazendo perguntas de forma remota.

A Unidade de Referência Coronavírus (URC) foi criada no início da pandemia, em março de 2020. A estrutura foi montada no Hospital Humanitária para atender exclusivamente pacientes com Covid-19, a partir de uma parceria do município com os hospitais Unimed, Medical e Santa Casa. “Tivemos um pico de internados em julho. Depois, vivemos uma situação pior em março último e agora estamos presenciando uma situação mais grave ainda”, declara Botion. “Estamos no pior momento agora e não sabemos o que virá pela frente”, lamentou o secretário de Saúde, Vitor Santos.

O prefeito afirmou que, diante dos dados atuais da velocidade da doença, a tendência é a situação se agravar ainda mais nas próximas semanas. O mesmo se aplica aos hospitais particulares, segundo relatos de dirigentes da Unimed, Santa Casa e Medical Hapvida, que também apresentam quadro de esgotamento de leitos.

A situação da pandemia ganhou contornos gravíssimos nessas últimas semanas por apresentar um novo perfil de pacientes acometidos pela doença e pela escala mais acentuada de contaminação. “São pacientes mais novos e sem comorbidade, e não mais idosos na totalidade”, diz Botion. Nesse caso, a internação ocorre por um tempo maior. E, segundo as estatísticas, jovens e pessoas com até 50 anos em média estão morrendo mais. Outros agravantes são as variantes do vírus, como a cepa indiana, que já estão na região.

APELO E PLANO SÃO PAULO

O prefeito lembrou que discute com todos os segmentos da sociedade a questão da pandemia. Isso ocorreu em todos os momentos, desde março de 2020 e mais uma vez durante esta semana, com reuniões envolvendo entidades sindicais de trabalhadores e patronais. Ele defende uma colaboração maior da sociedade nesse momento.

Botion aponta três situações mais graves que explicam o cenário de maior contaminação pelo vírus: reuniões familiares com muitas pessoas; festas em edículas; e festas clandestinas em chácaras. A esses três fatores se acrescenta a grande concentração de pessoas em bares. Em relação a esses dois últimos fatores, o prefeito disse que a fiscalização será extremamente rigorosa neste final de semana. “Em muitos casos, porém, precisamos receber denúncias por nossos canais”, afirmou. Já em relação à aglomeração provocada em ambientes domésticos, o prefeito disse que, nesse caso, o cidadão precisa tomar ciência da situação e colaborar.

No mais, o Plano São Paulo será seguido. Comércios, por exemplo, estão respeitando protocolos de segurança, disse Botion. O prefeito e o secretário Vitor Santos descartaram realização de Lockdown. “Não existe comprovação de resultado positivo com esse mecanismo. Veja o que ocorreu em Araraquara: foi utilizado esse instrumento, houve uma melhora pontual, mas hoje a situação se agravou novamente”, relatou.

Para tentar atenuar a gravidade da lotação, a Prefeitura está buscando alternativas para tentar usar o próprio espaço da URC para novos leitos de UTI. A UPA do Abílio Pedro também deverá nos próximos dias receber pacientes de leitos clínicos. São duas medidas que estão sendo avaliadas para se colocar em prática o mais rápido possível.

AULAS

Durante a coletiva, o secretário André de Francesco (Educação) anunciou que as aulas presenciais na rede municipal serão suspensas do dia 31 de maio a 4 de junho. As escolas ficarão abertas apenas para entrega de material pedagógico e de kits de alimentação que substituem a merenda escolar. Outra medida: o recesso escolar foi antecipado para junho. Diante disso, não haverá aulas nem presenciais e nem remotas de 7 a 20 de junho. As medidas contemplam apenas a rede municipal. No caso do Estado e as particulares, elas seguem os seus cronogramas.

HOSPITAIS PARTICULARES

O tom de gravidade atual da pandemia foi compartilhado por todos os dirigentes de hospitais. Gullo e Oliveira (Santa Casa) também demonstraram números caóticos quanto a ocupação de leitos por pacientes Covid-19 nos dois hospitais. A Santa Casa está com cirurgias eletivas canceladas. Em ambos os hospitais também existem comprometimento no atendimento de outras patologias. Oliveira lembrou que leitos de UTI também precisam ser ocupados por pacientes com traumas, ou que apresentam quadros de infartos e de AVC, por exemplo. Hansen Martins apontou a necessidade de uma mudança de atitude por parte de jovens que estão sendo infectados.

O tom de apelo tem como finalidade chamar à atenção da extrema gravidade da pandemia nesse momento. Tanto representantes do Poder Público quanto os dirigentes de hospitais particulares pedem maior sensibilidade da parte de todos os cidadãos diante do cenário.

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